sexta-feira, 8 de julho de 2016

if you don't move

if you don't move, you doesn't notice the chains that bind you
but

Diria que é da própria natureza humana se acomodar. Você acorda todos os dias, toma café, vai pro trabalho/escola/faculdade ou fica em casa, faz o que tem que ser feito, e depois de tudo vai dormir. Poucos problemas, poucas variações, tudo na mais perfeita paz. 

Cedo ou tarde, aquela sensação se instala. "De novo esse trabalho desse professor", "de novo esse sistema pra fazer", "lavar o banheiro mais uma vez". Os dias se repetem, as semanas, os meses, os anos. De repente você se olha no espelho e vê rugas novas, um cabelo branco que surgiu, algumas manchas na pele. O tempo está passando, e você tem a impressão de que falta alguma coisa na sua vida.

you are not bound by destiny


Em algum lugar, existe um jovem. Os pais fizeram Direito, são bem sucedidos, e mesmo que não tenham sido explícitos a influência para que o jovem fizesse era grande, mesmo que hajam diversas dúvidas. Mas, com um pouco menos de 18 anos e sem muita perspectiva pra vida que vem à frente. o jovem decide entrar numa faculdade de Direito. 

Terceiro período. "Cara, mas que saco essa matéria, aliás, esse curso, pra que eu me meti a fazer isso? Aquele curso de Design parece muto mais legal, vi meu colega fazendo algumas coisas e achei bem massa". E então, depois de pensar por dias sobre o que queria fazer, o jovem reúne toda a coragem que resta e comunica aos pais que irá trancar a faculdade de Direito, e irá começar uma faculdade de Design.

you are not bound by duty




"Mas como assim, design?! Isso nem dá dinheiro, como é que você vai se sustentar? Como vai comprar o seu carro, sua casa, eu comprei o meu primeiro carro com 25 anos!"; as coisas não foram muito bem na conversa inicial. Mas o jovem não queria aquilo; ele queria criar algo com as próprias mãos, dar vazão às suas ideias, mostrar o seu trabalho para o mundo. 

Dinheiro é importante? Seria hipocrisia dizer que não. A questão é quanto dinheiro: talvez o jovem não queira ter o seu primeiro carro aos 25 anos, talvez sequer queira aprender a dirigir, um bom emprego na área que escolheu poderia permitir que alugasse um apartamento razoável, um pouco melhor se rachasse com outra pessoa, e poderia ter suas ferramentas de trabalho. Quem sabe um carro usado, usando o dinheiro guardado a todo custo na poupança, pra poder se locomover. E, então, o jovem faz algo mais do que simplesmente trabalhar e ganhar dinheiro. O jovem cria o seu legado.

you are not bound by tradition



Nem sempre sabemos o que queremos fazer desde o começo, é comum a história de quem começa uma faculdade, vai pra outra, talvez pra mais outra, e é sacaneado porque "não sabe o que quer". Eu acho que poderia contar nos dedos das mãos, talvez nos de só uma mão, o número de pessoas que "sabe o que quer". 

Depois de quase 34 anos só agora que eu estou enxergando o que eu quero fazer, e estou investindo nisso, outras pessoas podem demorar mais ou menos tempo, o importante é se achar. Achar aquilo que faça finalmente você se dedicar a fazer apenas por fazer, porque você quer fazer, e depois tornar isso numa maneira que possa ter algum retorno financeiro, fazendo dessa forma você viver do que você gosta de fazer.

É algum problema fazer um curso "tradicional"? Absolutamente não, desde que é o que você queira fazer. Mas você também pode fazer Artes, Música, Biblioteconomia, Serviço Social, qualquer coisa; ou pode escolher não fazer nada disso e seguir fazendo algo que não está na academia, mas que você sabe fazer bem. O que importa é você achar o seu caminho.

E, mesmo que você esteja naquele dia-a-dia onde tudo é igual e está tudo na paz, quando sentir que falta algo na sua vida, faça algo diferente; aceite um trabalho diferente, pense em fazer algo que nunca fez, viajar pra onde nunca viajou, faça aquela coisa que você tem medo de fazer. Não garanto que é um mar de rosas: junto com a novidade, vem a saída da zona de conforto, e pode ser bem desagradável lidar com tudo isso. Mas no fim de tudo, fica sempre o aprendizado, e uma oportunidade de fazer tudo diferente.

É o que eu estou tentando fazer. Não está sendo fácil, estou trabalhando em algo que eu achei que poderia fazer sem problemas e estou passando por um mar de dificuldades, noites mal dormidas e uma ansiedade sem fim. Mas espero que no final disso eu possa ter algo do que eu possa me orgulhar. Se não tiver nada no final, paciência. Fica a experiência, e a certeza que eu tentei fazer alguma coisa. Quem sabe outro dia eu tento de novo.

only your mind binds you

domingo, 18 de janeiro de 2015

inner peace

Situação 1: o indivíduo tem o mesmo emprego faz 30 anos, e não tem pretensão de mudar. O que é dito dele? Acomodado, não sabe fazer mais nada da vida, escravo da rotina.

Situação 2: o indivíduo mora sempre na mesma cidade e não tem planos de ir morar ou trabalhar em outro lugar. O que é dito dele? Criou raízes, não sai do mesmo lugar, tem medo de arriscar.

Situação 3: o indivíduo está faz anos como empregado, e não tem vontade nenhuma de cargo de chefia ou gerência. O que é dito dele? Acomodado, não quer subir na vida, vai passar a vida inteira sendo mandado pelos outros.

Algo em comum nessas 3 situações? ninguém perguntou do indivíduo qual é a opinião e se ele é feliz com as suas escolhas atuais. A hipótese padrão é sempre que o sujeito tem algo que o prende a isso, ninguém nunca se dá ao trabalho de saber realmente o que a pessoa acha, é bem mais fácil só tascar um rótulo e pronto.

Se o cara quer ter o mesmo emprego e morar na mesma cidade, quem poderia julgar tal atitude senão ele mesmo? Raramente as mudanças vêm de fora pra dentro, exceto em casos excepcionais, não adianta todo mundo ficar falando pro sujeito que ele é um acomodado ou coisa parecida achando que ele magicamente será iluminado pelas suas palavras e vai fazer o que você quer. Ele pode muito bem simplesmente ignorar completamente o que você diz, até o extremo de acabar internalizando tais palavras e desenvolvendo algum transtorno psicológico. No melhor caso nada acontece, no pior caso você está ativamente desencadeando um problema na pessoa.

Portanto, não faça isso. Se algo tem que mudar, tem que ser porque a pessoa quer. Da mesma forma como as situações acima, não há problema algum em sair do emprego depois de 10 anos ou 10 dias, batalhar por um cargo de gerência ou querer ir morar nas Ilhas Cayman. O único parâmetro a ser considerado e a única vontade que deve ser ouvida é a da própria pessoa, e nada mais. O resto é só ruído.


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

the breaking point

E então aquele momento acontece. As suas convicções, tão familiares e confortáveis, se tornam uma corda no seu pescoço. Subitamente, você percebe que elas não fazem mais sentido. São velharias, coisas anacrônicas carregadas ao longo dos anos, mas que hoje não lhe servem mais, como uma roupa que saiu de moda.

E então vem o mais difícil: admitir tudo isso e começar o processo de transformação. É assustador, é difícil, cheio de dúvidas e incertezas. Mas, acima de tudo isso, é necessário. Ou a corda no seu pescoço vai apertar mais e mais, até sufocar e sua vida se tornar nada mais do que um zumbi em piloto automático.

let's begin

terça-feira, 1 de julho de 2014

growing pains - II

Apenas assista o vídeo, e reflita sobre a mensagem passada pela pessoa retratada. Eu já refleti bastante, e a cada dia que passa tal mensagem faz mais e mais sentido pra mim.


domingo, 22 de junho de 2014

growing pains

Faz algum tempo, estava aprendendo a dirigir. Foi bem difícil no começo, e na minha mente uma atividade complexa como aquela seria praticamente impossível para a minha limitada coordenação motora, que se acostumou a viajar com a cabeça encostada na janela do ônibus, filosofando silenciosamente.

Passam-se os anos, e estou com mais de 2 anos de CNH na mão, e todo o processo de dirigir já é tão mecânico que eu simplesmente não penso mais no que preciso fazer, apenas faço.

.*.*.

Meu trabalho diário, e minha vocação, é ser programador. Durante o dia, tenho um emprego como desenvolvedor, trabalhando em diversas coisas para diversos clientes, e durante a noite tenho outro "emprego": futuro programador de jogos. Faço uma pós-graduação sobre esse tema, e todas as noites tento me esforçar em avançar em uma linguagem que eu conheço pouco e com novos e diversos conceitos necessários para que se possa dar vida a um jogo eletrônico.

E então, como é possível ver os trabalhos dos outros alunos, vou dando uma passeada por eles, vendo como está o progresso de todo mundo. E, observando trabalhos com uma qualidade impressionante e com tamanha atenção aos detalhes, aquela mesma sensação que eu tive quando estava aprendendo a dirigir me veio novamente: me parece impossível que eu consiga programar daquele jeito um dia. E me bate o mesmo desânimo e a mesma vontade de desistir do que naquele ano que se passou.

Mas, com o passar dos anos, também veio uma maior dose de autocontrole, e também a realização que é preciso aceitar alguns fatos para poder seguir em frente: sim, eu simplesmente não sei programar daquele jeito neste momento; sim, é necessário tempo e esforço para adquirir conhecimento e experiência necessários para tal fim; e sim, eu vou conseguir me adaptar a esse novo paradigma, como eu sempre me adaptei.

Enfim, eu preciso aceitar que por mais que eu tenha mais de uma década de experiência, estou de volta à estaca zero, mais uma vez, e preciso me esforçar, mais uma vez. É uma oportunidade de aprender algo novo, uma atividade que eu sempre quis fazer e que foi a minha motivação a aprender a programar, e ao mesmo tempo é um lembrete oportuno que a busca por conhecimento é uma luta ingrata: sempre haverá alguém melhor do que eu em determinado ponto e eu sempre preciso melhorar, todos os dias.

É difícil manter o foco e não acabar jogando tudo pro alto, às vezes quase impossível. Mas é preciso seguir em frente. Se eu, com minha coordenação motora deficiente, aprendi a dirigir um automóvel, acho que consigo aprender mais algumas coisas. Não apenas isso, mas assim como a CNH me permitiu expandir meus horizontes, me tornar um desenvolvedor indie de games também servirá para que eu possa enxergar mais longe.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

when there is no one

Esta é uma história que eu li já faz algum tempo, e que tomarei a liberdade de escrever nas minhas próprias palavras.

*.*.*

Havia numa cidade do interior um circo, e nesse circo havia um palhaço bastante talentoso. Pulava, fazia macaquices, contava piadas, era um grande sucesso. As pessoas lotavam os espetáculos para vê-lo e não havia quem não caísse na gargalhada com as apresentações. O sucesso foi tanto que o circo acabou passando mais de um ano estacionado naquele local.

O médico da cidade, percebendo como aquela alegria era benéfica para as pessoas, começou a vez por outra sugerir que seus pacientes com indícios de depressão ou com algum tipo de desânimo frequentassem as apresentações do circo. Melhoras substanciais foram registradas nos prontuários.

Em um determinado dia, adentra pela porta do médico um senhor, aparentando já estar na meia-idade, com olheiras profundas e feição cansada. Conversa com o médico, conta o que se passa, e o médico percebe uma grande dose de tristeza e melancolia. Sugere, além das recomendações de sempre, que o senhor assistisse algumas apresentações do circo, onde há um palhaço capaz de fazer a pessoa mais deprimida abrir um sorriso.

 - Doutor, infelizmente eu não poderei assistir este tal palhaço no circo.
 - Como assim? Por qual razão o senhor não poderia comparecer a alguma apresentação?
 - Não posso, doutor.
 - Percebo que o senhor não tem dificuldades de locomoção ou algo do gênero, não entendo por que o senhor não poderia assistir. Há algum problema que o impede?
 - Na verdade, sim, há um problema.
 - ...
 - Eu sou o palhaço.


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

back to the drawing board

Estava aqui escrevendo furiosamente um novo post, falando de um assunto que eu particularmente acho interessante, no sentido de que "como é possível que alguém possa acreditar numa baboseira dessas". No entanto, no meio da escrita, olho o texto como um todo, e não vejo um post, apenas parágrafos desconexos, ideias dispersas e sem continuidade.

ctrl+a, del

Eu até tento vir aqui e tento escrever algo pra dar uma arejada no blog, mas não consigo por no ar um texto que eu vejo que não está bom. Não ganho absolutamente nada com o Teoria do Caos, não tem nenhum tipo de propaganda aqui nem nenhum tipo de SEO* implementado. Só escrevo por escrever, uma raridade em tempos em que blogs são coisas que são levadas a sério. Eu não levo nada aqui a sério, eu simplesmente escrevo, desde o meu primeiro blog, 12 anos atrás (sim, eu escrevo faz esse tempo todo, e não, os blogs antigos não existem mais). 

Preciso pensar com mais calma em algum tema para discorrer por aqui. Infelizmente não é mais como nos velhos tempos, onde eu tinha problemas, tempo e disposição pra escrever. Hoje eu só tenho problemas. 

stay tuned

*Search Engine Optimization, em outras palavras "como enganar a máquina de busca para que o meu site apareça no topo".