Teoria do caos
Coisas aparentemente pequenas, como o ônibus perdido por alguns segundos ou o papo furado com alguém pra passar o tempo em uma longa fila, podem ter uma grande influência nas nossas vidas a longo prazo. Não existe exemplo maior de algo caótico do que as nossas próprias vidas, aparentemente previsíveis e sequenciais - mas moldadas pelas escolhas que fazemos em face do que o acaso nos proporciona.
sábado, 28 de janeiro de 2012
contos em pílulas - III
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a single shot
Essa era a sua chance. Sua última chance. Caso acertasse, poria fim a esta situação inteira, salvaria diversas vidas, poderia ganhar diversas condecorações e ainda sairia como o heroi da história, pela primeira vez em toda a sua vida.
Exceto que não seria apenas a primeira, mas também a última, e ele não seria um heroi, mas um mártir.
Esta guerra está perdida. Escondido nas sombras, com o que restou dos seus companheiros, os pensamentos aceleram e uma ideia começa a ganhar força. Ele poderia incapacitar permanentemente o acampamento inimigo, mas a qual custo? Uma missão suicida era a única alternativa, se esgueirar durante a noite e plantar explosivos no depósito de armas. A confusão seria tamanha que um ataque surpresa destruiria o acampamento de homens cansados e mal nutridos, não muito diferentes dele mesmo, e garantiria a passagem pela fronteira, a apenas alguns quilômetros naquela direção, objetivo que poderia ser cumprido antes do amanhecer. Quanto a ele próprio, estaria no meio de um monte de soldados apenas esperando para puxar o gatilho na direção de alguém com um uniforme ligeiramente diferente. E não demoraria até que isso acontecesse, teria sorte se tivesse uma morte rápida.
Mesmo com uma grande chance de sucesso, seu plano enfrentara a resistência ferrenha dos seus compatriotas. "Não vale a pena se arriscar por algo que tem pouquíssimas chances de dar certo", dizia um deles. De fato, caso o plano não funcionasse, ele já tinha pleno conhecimento que seus inimigos não costumam fazer prisioneiros de guerra.
O que fazer? Ele teria que agir duplamente escondido - dos inimigos e de seus compatriotas. Só poderia contar consigo mesmo para planejar e executar o próprio plano à revelia de todos. Precisava pensar rápido porque o dia se aproximava e então já seria tarde demais.
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Quase todos estão no chão, alguns dormindo e outros exaustos. Poucos estão de pé, vigiando. E ele, passando ao largo de todos sem alertar uma única alma da sua presença. Nunca o treinamento de guerra na selva tinha sido tão útil, ele era praticamente uma sombra passando de uma árvore a outra. Carregava a mochila secretamente preparada, com explosivos suficientes para derrubar um pequeno prédio, e ia em direção ao seu objetivo. No acampamento inimigo uma situação semelhante ao seu próprio acampamento, com poucos de pé, e ele facilmente chega até a larga tenda abrigando vários tipos de munição e granadas. Joga a mochila lá dentro, vai até a distância máxima que o transmissor funciona, algumas dezenas de metros, se põe atrás de uma árvore, e fecha os olhos. Em seguida, fecha o mecanismo que carregava na mão direita.
Era claro como o próprio sol, e ruidoso como um vulcão. Os companheiros levantam-se repentinamente sem saber o que fazer naquela confusão mas em poucos segundos tudo fica claro. O plano suicida tinha sido executado. Nada mais poderia ser feito em relação ao futuro mártir, senão reunir o que restava de forças e partir com tudo pra cima do acampamento completamente desordenado. Em questão de minutos, os poucos soldados agindo de vigias foram facilmente alvejados e os restantes rendidos facilmente ou derrubados como moscas. Enfim, uma vitória, uma pequena vitória no meio daquela guerra. E praticamente todos conseguiram ultrapassar as trincheiras e cruzar a fronteira pesadamente defendida pelos seus aliados.
Praticamente. Só um soldado não cruzou a fronteira, e foi dado como desaparecido. Ao invés de condecorações, uma condenação à revelia por insubordinação grave e deserção, crimes que o conduziriam à corte marcial caso estivesse presente. Fuzilamento. Ao invés de herói ou mártir, insubordinado e desertor. Ele havia se tornado um pária, rejeitado no seu próprio país e caçado como um animal pelo país inimigo.
O clarão da explosão mostrou a ele um pouco da selva além, onde ele podia observar um riacho e um pequeno bote amarrado às margens. Desamarrou o bote e seguiu em frente, ciente de todos os crimes que havia cometido aos olhos dos seus compatriotas. Sem ter pra onde ir, passou dias na mata, utilizando tudo o que aprendeu no curso de sobrevivência na selva para manter-se vivo. Quando estava já à beira do colapso físico e mental, chegou a uma pequena vila, isolada e alheia aos acontecimentos dos dias anteriores, onde foi recebido simplesmente como um homem perdido na mata e nada mais. Foi dado a ele um lugar para dormir e algo para comer, e depois de muitos anos ele foi tratado não como subordinado ou inimigo, mas como igual. E decidiu, naquele momento, iniciar uma nova vida, naquele lugar distante onde o horror da guerra não havia ainda chegado.
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Vários anos depois ele era apenas um nome num arquivo morto do tribunal militar do seu país, e o inimigo havia desistido de procurá-lo. Mas sabe-se que ele viveu um por um bom tempo depois disso e que talvez ele até tenha formado uma família, segundo relatos dos habitantes da antiga vila - hoje cidade - onde ele passou o resto dos seus dias. E finalmente ele foi reconhecido como um herói de guerra devido a quantidade de vidas que ajudou a salvar. Apenas com o tempo ele teve o seu esforço reconhecido, assim como muitos.
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No breve momento em que sua mão fechava o mecanismo, só havia um pensamento na sua cabeça: "Essa é a minha única chance de salvar, ao invés de destruir".
círculo vicioso descendente
*** stack smashing detected ***: ./mind terminated
Aborted (core dumped)
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
vivendo e aprendendo
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but what if the physicists are wrong?
and if someday, somehow, someone devises a way into the past?
would you go back and see your mistakes again?
or try to discover other facets of people you know?
or yet do the things you never did at that time?
would you go after the past version of yourself?
what would you tell him/her?
would you tell about how the present (his/her future) could be?
would you warn about the future mistakes that he/she will do?
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past may be a heavy burden, to be carried until the end of your days.
but it will seem lighter if you learn from all things on your past.
the fact is that the weight is the same; but you will get stronger with time.
and then, one day, it will not be a burden at all, just a collection of memories.
on this day, you will finally be at peace with yourself.
sábado, 14 de janeiro de 2012
kindness keeps the world afloat*
Admito que esse post soa meio piegas. Mas quem é que não quer ser bem tratado e viver em uma realidade ao menos um pouco melhor que a atual?
* Essa frase não é minha, li em um vídeo que circula pela rede.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
index corrupted, rebuilding...
Certas vezes seu dia anda bem, parece que tudo finalmente entrou nos eixos, e então tudo muda em um momento. Uma imagem, uma mensagem, uma pessoa, algo repentinamente faz com que uma antiga lembrança, muitas vezes dolorosa, volte à sua mente. Toda a sua concentração vai por água abaixo. E durante o resto do dia você se põe a pensar no passado, no que fez e no que poderia ser feito. Fica se imaginando como as coisas seriam hoje se você tivesse dito ou feito algo diferente.
Raras são as pessoas que não se arrependem de nada, de nenhuma ação e frase do passado. Talvez tais pessoas sejam, verdadeiramente, livres. Livres de um dos maiores pesos que existem - o peso na própria consciência.
domingo, 11 de dezembro de 2011
wasting attention
No fim das contas, pouquíssimas pessoas vão dar algum valor para o que você faz ou pensa. A grande maioria vai fingir que você simplesmente não existe. Para que, então, desperdiçar seu tempo se preocupando com o que a grande maioria acha de você?
Quanto a mim, prefiro ser legal com todos, afinal não custa nada e ser um escroto gratuitamente não leva a nada. E no meio disso esqueço as mágoas e rancores do passado, pois a única pessoa que eles afetam sou eu mesmo. E vou tentando me tornar uma pessoa melhor. Mesmo que não dê certo, ao menos posso servir de mau exemplo.